Política de Uso de Inteligência Artificial
Onde usamos inteligência artificial, onde não usamos de jeito nenhum, o que acontece com a pergunta que você faz ao assistente e quem responde quando a máquina erra.
Atualizado em 15 de julho de 2026.
1. Por que publicamos isto
Quase todo veículo do país está usando inteligência artificial em alguma etapa, e quase nenhum conta ao leitor onde. Achamos isso um erro. A matéria-prima do jornalismo é confiança, e confiança não sobrevive a descobrir depois.
Este documento diz onde o AgroNortão News usa IA, onde não usa, o que fazemos com o que você digita no assistente e quem responde quando sai errado. O responsável é AgroNortão News, portal de notícias sediado em Sinop, Mato Grosso.
Vale a partir de 15 de julho de 2026. Esta é a área que mais muda, então este texto muda junto.
2. O princípio que não negociamos
Nenhuma matéria do portal é escrita por inteligência artificial e publicada sem gente no meio.
Toda matéria é apurada, escrita ou revisada e aprovada por um jornalista com nome, que responde pelo que assinou. IA aqui é ferramenta, do mesmo tipo do corretor ortográfico e do gravador: ajuda a fazer, não decide o que é notícia.
Isso não é modéstia. É a única posição defensável. Modelo de linguagem não apura, não liga para a fonte, não vai ao local, não olha no olho e não responde na Justiça. Ele produz o texto mais provável, e o mais provável não é o verdadeiro. Quem confunde as duas coisas publica invenção com cara de reportagem, e já aconteceu com veículos grandes.
3. Onde usamos
O assistente do portal. Aquele botão flutuante responde perguntas sobre cotações, o que saiu no site e informações da região. É o uso mais visível, e é declaradamente uma máquina.
Apoio de redação. Sugestão de título, revisão de ortografia e gramática, transcrição de áudio de entrevista, resumo de documento longo como edital e balanço, e organização de dado público em tabela.
Tradução de trecho de material estrangeiro, sempre conferida por quem entende do idioma antes de publicar.
Tarefas internas que não tocam o conteúdo: organizar arquivo, sugerir palavra-chave, marcação de material.
Em todos esses casos há um jornalista antes e depois. A transcrição é conferida contra o áudio. O resumo do edital é conferido contra o edital. O título sugerido é escolhido, reescrito ou descartado por gente.
4. Onde não usamos, e não vamos usar
- Matéria publicada direto por IA. Nunca.
- Apuração. IA não checa fato. Fato se checa com fonte, documento e telefone.
- Citação. Nenhuma aspas nossa sai de máquina. Se está entre aspas, alguém falou aquilo, e temos o registro.
- Foto de fato real. Detalhado na Política de Uso de Imagens: não existe foto sintética de acontecimento.
- Rosto, voz ou assinatura de pessoa real. Não geramos e não simulamos.
- Jornalista que não existe. Toda assinatura do portal é de gente que você pode procurar e cobrar.
- Decisão editorial. O que vira manchete é decisão da redação.
- Análise de leitor para publicidade dirigida. Não perfilamos você para vender anúncio.
5. O assistente, em detalhe
O que ele é. Uma conveniência para pergunta rápida: cotação do dia, o que saiu na editoria, o que aconteceu na cidade.
O que ele não é. Fonte. A resposta dele não é matéria nossa, não passou por edição e não tem jornalista assinando. Ele pode errar com toda a confiança do mundo, e essa é a característica mais perigosa dessa tecnologia: o erro vem com a mesma cara segura do acerto. Antes de tomar decisão com base numa resposta, confira na matéria.
Como funciona por dentro. Sua pergunta sai do seu navegador para o nosso servidor, e do nosso servidor para um fornecedor de modelo de linguagem, que devolve a resposta. Não escolhemos a resposta palavra por palavra: é o modelo que a gera.
Limite. Há limite diário de perguntas, maior para quem tem conta, porque cada pergunta custa dinheiro.
Não pergunte o que não quer que saia daqui. Não digite CPF, dado bancário, senha, endereço, dado de saúde nem informação sigilosa de terceiro. Não é ameaça, é como a tecnologia funciona: a pergunta sai do nosso servidor para outro. Trate a caixa do assistente como uma conversa em lugar público.
Denúncia não é para o assistente. Se você tem informação para a redação, escreva para nós. Denúncia não deve passar por robô, e sim por jornalista que sabe proteger fonte.
6. O que fazemos com a sua pergunta
- Guardamos o texto da pergunta por até doze meses, para entender o que a região procura e melhorar o portal.
- Contamos quantas perguntas você fez no dia, por causa do limite.
- Vinculamos à sua conta quando você está logado. Sem conta, a contagem fica no seu navegador.
- Enviamos ao fornecedor do modelo para conseguir a resposta. Não há como responder sem enviar.
- Não usamos suas perguntas para treinar modelo. Contratamos o fornecedor com essa condição.
- Não vendemos e não entregamos suas perguntas a anunciante.
- Podemos ler, quando precisamos investigar abuso ou falha.
Você pode pedir a exclusão do histórico das suas perguntas a qualquer momento pelo canal de privacidade.
7. O fornecedor do modelo
O assistente usa modelo de terceiro. Nossos critérios de escolha: não usar o conteúdo enviado para treinar, ter prazo curto de retenção, ter compromisso contratual de confidencialidade e oferecer salvaguarda para transferência internacional.
Boa parte desses modelos roda em servidor fora do Brasil. A LGPD permite transferência internacional com salvaguarda, e é o que exigimos em contrato.
Se trocarmos de fornecedor, este documento é atualizado.
8. Quando a IA erra
Quem responde somos nós. Não existe culpar a máquina. Se o assistente do nosso portal dá resposta errada, quem colocou o assistente no ar fomos nós. Não vamos dizer que foi o algoritmo, porque isso é a versão moderna de dizer que o computador está fora do ar.
O que fazemos: corrigimos o que der para corrigir, tiramos do ar o que estiver causando dano enquanto investigamos, e, se o erro contaminou uma matéria, corrigimos a matéria com o registro no pé, como manda a nossa regra de correção.
O que você faz: avise, em noticias@agronortaonews.com.br, com a pergunta que fez e a resposta que recebeu. Um print resolve. Erro que ninguém aponta continua acontecendo.
Alucinação, que é quando o modelo inventa com segurança, é limitação conhecida dessa tecnologia. Ninguém resolveu esse problema até hoje, nem nós. É exatamente por isso que o assistente não escreve matéria, não checa fato e não decide pauta: colocamos IA onde o erro custa pouco e é visível, e mantivemos ela longe de onde o erro custa a confiança de vocês.
9. Conteúdo do portal e treinamento de IA
Nosso conteúdo não está disponível para treinar modelo de inteligência artificial de terceiros.
Não autorizamos raspagem em massa do portal para montar base de treinamento, nem uso das nossas matérias, fotos e artes em conjunto de dados de treino, sem contrato.
Isso não é birra com a tecnologia. É que apuração custa: custa repórter, custa combustível para ir até o distrito, custa tempo ao telefone. Modelo que aprende com o nosso trabalho e devolve a informação sem o leitor passar por aqui está usando o nosso custo para montar o negócio dele. Se alguém quiser licenciar, a porta está aberta e o assunto é contrato.
Quem tiver interesse em licenciar conteúdo para treinamento pode falar com a redação.
10. Como vamos manter isto honesto
Promessa de política de IA é fácil de escrever e fácil de furar em silêncio. Nossos compromissos concretos:
- Se um dia publicarmos qualquer coisa gerada por IA, virá dito na própria peça. Não em nota de rodapé, não neste documento: na peça.
- Se ampliarmos o uso de IA, este documento é atualizado antes, não depois.
- Toda matéria continua com assinatura de gente.
- Este documento fica público e datado, para você poder cobrar o que prometemos.
Se algum dia você encontrar aqui alguma coisa que pareça descumprir isto, escreva para noticias@agronortaonews.com.br e cobre. Documento que ninguém cobra é enfeite.
11. O que essa tecnologia não consegue fazer
Vale explicar as limitações, porque elas não são defeito de um produto ruim: são como a coisa funciona, e valem para todos os modelos, dos gratuitos aos mais caros do mundo.
Ele não sabe, ele prevê. Um modelo de linguagem calcula qual palavra tem mais chance de vir depois da anterior, treinado em um volume enorme de texto. É previsão estatística, não conhecimento. Por isso ele acerta muito e erra com a mesma cara de quem acertou: internamente, para ele, as duas operações são idênticas.
Ele inventa com confiança. É o que se chama de alucinação. O modelo produz nome de lei que não existe, número que ninguém publicou, citação que ninguém disse. Não é mentira, porque mentir exige saber a verdade e esconder. É a máquina completando o padrão. E o texto sai bem escrito, o que piora: a fluência engana mais que o erro tosco.
Ele tem data de corte. O modelo aprendeu com material até certa data. O que aconteceu depois ele não viu. Quando pergunta algo recente, ele pode responder com o mundo de meses atrás e apresentar isso como hoje.
Ele herda os vieses do que leu. Se o material de treino carrega distorção sobre um assunto, uma região ou um grupo de pessoas, o modelo reproduz. Interior de Mato Grosso aparece pouco na internet comparado a São Paulo, e isso significa que o modelo sabe menos da nossa região do que parece saber.
Ele não entende o que diz. Não há compreensão, intenção nem juízo. Ele não sabe que uma resposta errada sobre defensivo agrícola pode estragar uma lavoura.
Nada disso é motivo para não usar. É motivo para usar sabendo. Por isso o assistente responde pergunta rápida e não escreve reportagem: colocamos a ferramenta onde a limitação dela custa pouco.
12. Transcrição de entrevista
Este é o uso mais comum de IA em redação hoje, e vale detalhar porque envolve a voz de terceiros.
Usamos transcrição automática de áudio de entrevista para virar texto. Economiza horas.
Sempre conferimos contra o áudio antes de publicar qualquer aspas. Transcritor erra nome próprio, erra termo técnico, erra sotaque e, o pior, troca palavra por outra parecida, mudando o sentido da frase inteira. Uma negativa que vira afirmativa em transcrição automática é o tipo de erro que rende processo, e com razão.
O áudio original é preservado. É a prova do que a pessoa falou.
Entrevista com fonte que pediu sigilo não vai para transcritor externo. Proteção de fonte é obrigação do jornalista, e não terceirizamos isso para um servidor de terceiro. O trabalho aqui é braçal mesmo, e é o certo.
13. Publicidade e IA
Nossos anúncios são espaços com imagem enviada pelo próprio anunciante. Não usamos IA para escolher o que mostrar para você, e não montamos perfil seu para vender espaço mais caro.
Se um anunciante nos entregar peça gerada por IA, a responsabilidade pelo conteúdo dela é dele, como já é para qualquer peça publicitária. O que não aceitamos, em nenhuma hipótese, é peça publicitária que imite matéria jornalística nossa, gerada por IA ou não.
Se um dia usarmos publicidade programática, que é a que escolhe o anúncio a partir de dados do leitor, isto aqui será atualizado antes de ligar, e a Política de Privacidade dirá exatamente quais dados vão para onde.
14. Palavras que aparecem neste documento
- Modelo de linguagem: sistema treinado em texto que gera texto novo prevendo a próxima palavra. É o que está por trás do assistente.
- Alucinação: quando o modelo produz informação falsa apresentada como verdadeira. Não é bug, é característica.
- Treinamento: processo de alimentar o sistema com material para ele aprender padrões. É por isso que a origem do material importa tanto.
- Prompt: o que você digita para a máquina. No portal, é a sua pergunta.
- Data de corte: o limite temporal do que o modelo aprendeu.
- Deepfake: vídeo, áudio ou imagem sintética que imita pessoa real. Não produzimos, em nenhuma hipótese.
- Viés: distorção herdada do material de treino, reproduzida nas respostas.
15. Por que fomos por este caminho
Vale explicar a escolha, porque ela custa dinheiro e tempo, e outro caminho estava disponível.
Existe hoje ferramenta que pega o boletim de ocorrência, a nota da assessoria e o release da prefeitura e devolve uma matéria pronta em segundos. Portal pequeno consegue publicar cinquenta matérias por dia com uma pessoa só. O Google indexa, o anúncio roda, o número fecha. É tentador, e muita gente já faz.
Não fomos por aí, por três motivos concretos.
O primeiro é que isso não é jornalismo, é reprodução. Nota de assessoria é a versão de quem a escreveu. Republicar rápido não informa a região: entrega a ela o que a fonte queria que ela lesse, com a nossa assinatura dando credibilidade de graça. O trabalho começa exatamente onde a nota termina, quando alguém liga para conferir.
O segundo é que a máquina não responde por nada. Publicar nome de suspeito errado destrói a vida de uma pessoa numa cidade onde todo mundo se conhece. Não existe recall de notícia: você corrige, e o vizinho já leu. Quem responde por isso tem que ser gente, com nome e endereço, e tem que ter sentido o peso antes de apertar publicar.
O terceiro é que a nossa vantagem é local. Contra qualquer sistema automático, o que temos é o repórter que conhece o distrito, sabe a quem ligar e percebe que o número do release não fecha com o que se vê na estrada. Automatizar a apuração seria jogar fora a única coisa que uma máquina não copia.
Usamos IA onde ela é boa: transcrever, resumir documento longo, organizar tabela, sugerir título. Não usamos onde ela é ruim: apurar, decidir e responder. Não é medo de tecnologia. É saber para que serve cada ferramenta.
16. Como tirar proveito do assistente
Já que ele está no ar, vale dizer onde ele ajuda de verdade e onde só atrapalha.
Funciona bem para: achar matéria que você lembra ter lido e não sabe onde está, entender o que uma sigla quer dizer, ter a ordem dos fatos de um assunto que você está pegando no meio, e saber onde procurar dentro do portal.
Funciona mal para: número exato, data exata, valor de cotação para fechar negócio, previsão, e qualquer coisa que aconteceu nas últimas horas. Nesses casos vá à matéria, que tem fonte e data.
Uma dica prática: pergunte de forma específica. Quanto mais vaga a pergunta, maior a chance de o modelo preencher o vazio com invenção, porque é exatamente isso que ele faz quando não tem material.
E a regra que resume tudo: se você for tomar qualquer decisão com base na resposta, confira na matéria antes. O assistente é um atalho para chegar à informação, não a informação.
Se a resposta parecer estranha, ela provavelmente está errada. Sua desconfiança vale mais que a segurança do texto que apareceu na tela. Quem mora aqui percebe na hora quando o número da safra não fecha ou quando o nome do distrito saiu trocado, e essa percepção é melhor que qualquer modelo. Quando isso acontecer, avise a redação: é assim que a gente descobre onde a ferramenta está falhando.
17. Contato
Erro do assistente, uso de IA no conteúdo, licenciamento: noticias@agronortaonews.com.br.
Exclusão do histórico de perguntas e direitos de titular: privacidade@agronortaonews.com.br.
Sinop, Mato Grosso.